12 Filmes sobre a Filosofia da Angústia

Por Philippe Leão
 
Para o filósofo Arthur Schopenhauer, viver é necessariamente sofrer. Por mais que se tente conferir algum sentido à vida, nada será encontrado, não haveria finalidade para esta. A finitude da vida conferiria a esta a angustia, onde os momentos de prazer nada mais seriam que um intervalo entre a infelicidade, a morte. Para ele, a arte era a válvula de escape para as angústias humanas.  Nietzsche, tendo sido abertamente influenciado por Schopenhauer, vai além. O filosofo questionaria a busca incessante da verdade por parte do ocidente, acusando Sócrates de trazer isto para o pensamento. Para ele, a ideia do conhecimento da verdade não passa de um absurdo, uma ilusão. A obsessão humana pela verdade é um preceito moralista, que nos leva a todo instante a relacionar se algo é certo ou errado, bom ou mal. Dúvidas que nunca saberíamos responder, mas que são guiados por uma vontade coletiva de princípio controlador, moralizante. Dessa forma, Nietzsche atesta um tratado contra a busca por uma vida após a morte, assinando a angústia humana a sua finitude que, contudo, terá em sua filosofia uma busca pela plenitude da vida nos valores. Não valores mais verdadeiros, mas que nos potencializam. Segundo Nietzsche é preciso ter consciência de que a vida é sim uma tragédia, para que possamos desviar um instante os olhos da nossa própria indigência, desse nosso horizonte limitado, colocando mais alegria em nossas vidas. A arte, assim como em Schopenhauer, teria essa função. Por fim, outro filósofo alemão nos contempla com o significado da angústia. Martin Heidegger, dirá que todas as nossas verdades e valores são uma construção histórica milenar. Portanto, falar de verdade nada mais é que reproduzir um raciocínio sedimentado ao longo dos tempos, nos confinando a esses valores que a nós são entregues. Porém, quando enfrentamos a angústia atingimos nossa plenitude, ao percebermos que somos feitos para a morte. obtemos nossa liberdade. Momento em que reorganizamos todos os nossos valores de maneira única e singular, transformando àqueles que recebemos de maneira passiva em valores próprios. Resumindo, quando encontramo-nos com a morte, aprendemos a viver. Enfim, confira filmes sobre a angústia:
 
– Viver
Takashi Shimura Viver
Direção: Akira Kurosawa
Ano: 1952
País: JapãoBurocrata de longa data, que não liga para nada que não o interessa, descobre que está com câncer. Decide, então, construir um playground em seu bairro, tentando descobrir um sentido para sua vida.


– O Sétimo Selo

O Sétimo Selo

Direção: Ingmar Bergman

Ano: 1957
País: Suécia

Após dez anos, um cavaleiro (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.


– O Espírito da Colmeia
O Espirito da Colmeia

Direção: Victor Erice
Ano: 1973
País: Espanha


As duas pequenas irmãs Ana (Ana Torrent) e Isabel (Isabel Tellería) moram em terras rurais da Espanha, na década de 40. Elas estão determinadas a encontrar a estranha figura de “Frankenstein” que passará pela região.


– Lunar
Lunar

 

Direção: Duncan Jones
Ano: 2009
País: E.U.A

Sam Bell (Sam Rockwell) está perto de completar seu contrato de três anos com a empresa Lunar Industries, que minera a fonte primária de energia da Terra no lado escuro da Lua. A única companhia de Sam é o vigilante computador da base chamado Gerty (dublado por Kevin Spacey). Todo esse isolamento está se fazendo sentir na vida de Sam. Sua única conexão com o mundo exterior são mensagens de sua esposa e filhinha enviadas via satélite. Ele anseia pelo momento de voltar para casa, mas um terrível acidente na superfície lunar leva a uma descoberta perturbadora que contribui para seu crescente sentido de paranoia e fragmentação a tamanha distância de casa.


– Amor

Amor

Direção: Michael Haneke
Ano: 2012
País: França

Estrelado por dois ícones do cinema francês – Emmanuelle Riva, 85 anos, e Jean-Louis Trintignant, 81, “Amour” trata da relação de um casal de idosos que tem de lidar com a proximidade da morte.


– O Iluminado
O Iluminado

Direção: Stanley Kubrick
Ano: 1980
País: E.U.A

Durante o inverno, um homem, é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado, e vai para lá com a mulher e seu filho. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.


– O Inquilino

O Inquilino

Direção: Roman Polanski
Ano: 1976
País: França

Um polonês aluga um apartamento em um estranho edifício francês, onde passa a ser visto com desconfiança pelos seus vizinhos. Ao descobrir que a última inquilina do apartamento onde mora se suicidara, ele aos poucos passa a ficar obcecado por sua história.


– A Paixão de Joana D’Arc

A Paixão de Joana D'arc

Direção: Carl Theodor Dryer
Ano: 1928
País: Dinamarca

Versão muda da história de Joana D’Arc.
França, século XV, Joana de Domrémy, filha do povo, resiste bravamente a ocupação de seu país. É presa, humilhada, torturada e interrogada de maneira impiedosa por um tribunal eclesiástico, que a levou, involuntariamente, a blasfemar.
É colocada na fogueira e morre por Deus e pela França.
Último filme mudo de Carl Th. Dreyer, o filme mais fiel à história da guerreira. Todos os filmes de Dreyer, basearam-se em obras de ficção ou peças teatrais, exceto O Martírio de Joana d’Arc, que foi inspirado nos manuscritos oficiais do julgamento da donzela de Orléans.



– Não Matarás
Não Matarás

 

Direção:  Krzysztof Kieslowski
Ano: 1988
País: Polônia

Jovem polonês mata motorista de táxi friamente. Preso, ele é defendido por um advogado que acaba por não saber o que é mais arbitrário: o ato de seu cliente, ou os meandros da justiça de um Estado totalitário. Episódio do decálogo, visão moderna dos Dez Mandamentos.


– Limite
Limite

 

Direção: Mario Peixoto
Ano: 1931
País: Brasil

Um tema, uma situação e três histórias. O tema, a ânsia do homem pelo infinito, seu clamor e sua derrota. A situação, um barco perdido no oceano com três náufragos – um homem e duas mulheres. As três histórias são aquelas que os personagens mutuamente se contam. Na situação se esboça o tema que as três histórias desenvolvem. A tragédia cósmica se passa no barco. E para ele convergem as histórias.


– Carruagem Fantasma
A Carruagem Fantasma

 

Direção: Victor Sjöström
Ano: 1921
País: Suécia

Suécia, véspera de Ano Novo. Três bêbados evocam uma lenda que afirma que se a última pessoa a morrer no ano for uma grande pecadora, ela irá guiar a carruagem fantasma que recolhe as almas dos mortos. O filme aborda vários acontecimentos nessa mesma noite.


– Cria Cuervos
Cria Corvos

 

Direção: Carlos Saura
Ano: 1976
País: Espanha

– Confira a crítica de Cria Corvos – 

Em uma casa pequena e velha no centro de Madrid, Ana, uma menina de 9 anos de idade, é o veículo usado para contar, mais do que uma história, um clima, uma atmosfera, uma chave vital, os costumes e sentimentos que destróem sua família. Ana acredita ter em suas mãos o poder de vida e morte sobre aqueles que a rodeiam. Acha que este poder foi causador da morte de seu pai. Assim, neste universo fechado e do ponto de vista de uma criança, o tempo passa, trazendo paixões, esperanças, descobrindo frustrações e impassível, profetizando a morte.

 

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