Crítica: Samaritana

Por Philippe Leão

Direção: Kim Ki Duk
País: Coréia do Sul
Ano: 2004
Elenco: Eol Lee; Kwak Ji Min; Kwon Hyun-Min; Oh Young; Yeo-reum Han
Cultivando o sonho de fugir para a Europa, duas jovens arquitetam um plano para ganhar dinheiro. Enquanto uma vigia, a jovem menor de idade Jae-Young (Yeo-reum Han) se prostitui. Um dia, devido a uma distração de Yoe-Jin (Kwak Ji Min), a jovem que vigia, a polícia entra no apartamento em que sua amiga estava se prostituindo, revelando a pedofilia no local, provocando um desastre que justificará o desenvolvimento narrativo.
O diretor Kim Ki Duk é conhecido por seus roteiros que contemplam uma circularidade bastante particular. Os acontecimentos iniciais refletem ao final, como se não houvesse um fim. Contudo, ao contrario de uma de suas marcas, em Samaritana o diretor estabelece uma narrativa composta de maneira naturalista, onde os pontos de virada entre os atos são muito bem demarcados. Seria um filme como outro, porém, as viradas modificam não apenas o senso comum (1° ato = introdução; 2° Ato = Desenvolvimento; 3° Ato = Conclusão). Interessante, os atos alteram aqueles que estão investidos dos conflitos principais, ou seja, os personagens principais. Dessa forma, Samaritana se apresenta como um grande estudo narrativo, onde o personagem principal não é fixo.
Silencioso em seu aspecto auditivo, o filme se apresenta barulhento em sua composição visual. A violência poética é brutal, porém, não parece estar ligada a uma vingança barata. Mais uma vez controverso, o longa-metragem consegue se apresentar como uma sutil brutalidade.
O diretor insiste utilização de câmeras digitais em sua obra. A escolha por esta traz para seus filmes uma maior crueza que, em alguns casos, amplia a poesia tão marcante em seus filmes. Sustentada pela violência presente no filme, a digital impõe um realismo bastante interessante à fotografia da película. Apesar dos diversos acertos, o filme não se sustenta como as grandes obras do diretor. O ritmo é pecaminoso uma vez que investe em repetições visuais.
película é uma interessante obra de conteúdo erótico, desenvolvendo a consequência humana irracional: a vingança. Um filme recomendado.
★★★★★★★★☆☆ – Nota: 8/10

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