Crítica: Jurassic World

 

 
Por Philippe Torres
Direção: Colin Trevorrow
País: EUA
Ano: 2015
Elenco: Bryce Dallas Howard; Chris Pratt; Nick
Robinson; Ty Simpkins; Andy Buckley; BD Wong; Brad Bird; Brian Tee; Colin
Trevorrow; Irrfan Khan; Jake Johnson; Jimmy Fallon; Judy Greer; Katie McGrath;
Lauren Lapkus; Omar Sy; Vincent D’Onofrio
Pôster Jurassic World
Mais de uma década depois
estreia nos cinemas a sequência de uma das maiores franquias da história do
cinema. Em Jurassic World, dessa vez dirigido por Colin Trevorrow, o parque
enfim está aberto. Safaris, shows acrobáticos com dinossauros domesticados por
alterações genéticas são encontrados por lá, ao estilo Disneylandia e Sea
World. A equipe chefiada pela doutora Claire (Bryce Dallas Howard), contudo,
realiza constantes experiências para trazer novas atrações, tratando os animais
criados como objetos, pertences do grande empreendimento. Assim, nasce uma nova
ameaça, o primeiro hibrido que mistura o dna de quatro diferentes espécies. O
monstro criado coloca a ilha em estado de alerta. Enquanto isso, o “Indiana
Jones” Owen (Chris Pratt), um treinador de Velociraptors, é chamado para ajudar
a parar a criatura.
É inevitável a comparação do
filme com o primeiro da franquia. Isso acontece não apenas por este fazer parte
dela, mas por, a todo instante, referencia-lo. Pois bem, esse elemento seria
positivo (em alguns momentos é) podendo trazer ao espectador a sensação de
nostalgia de um filme que chegou aos cinemas a mais de 20 anos, marcando a
juventude de muitos. Contudo, ao comparar os dois filmes coloca-se em conflito
os inúmeros erros antes ausentes.
Em primeiro lugar, daquilo
que mais se espera de um filme com dinossauros, é talvez de onde sai o
principal erro. Os efeitos especiais inevitavelmente estarão representados nas
principais premiações de final de ano, mas calma lá. Em certos momentos tive a
impressão de estar em uma sala de cinema jogando algum jogo de play station 4.
A utilização da tecnologia CGI tem sido usada de maneira desmedida. A
iluminação ainda é um grande problema ao tratar do CGI, ainda sendo bastante
artificial. O avanço da mesma não tem sido respeitada como evolução, uma pena.
O auge acontece no momento da entrada no parque, uma referência ao primeiro,
mas que tem um portão feito em CGI. Isso mesmo, um PORTÃO. O uso desmedido da
tecnologia tornou os filmes preguiçosos. O mesmo acontece com os dinossauros,
menos ameaçadores que nos três primeiros (principalmente o primeiro, quando a
mescla da tecnologia CGI e protótipos gigantes era feita).
Repare a diferença de iluminação na parte inferior
(onde efetivamente temos figurantes)e a arquibancada ao fundo.
Iluminação dura que se estende ao dinossauro em primeiro plano.
Se a narrativa do filme não
é ajudada por uma boa fotografia, montagem ou design de produção, muito menos o
roteiro colabora. Há quem diga que um filme de ameaça, dinossauros, não precisa
conter um bom roteiro. O argumento é quebrado facilmente: assististes o
primeiro? (Novamente digo ser inevitável a comparação de algo que eles mesmos se
comparam). Em primeiro lugar o grande monstro que vemos na franquia some o
filme quase por completo (Tiranossauro Rex). Em primeiro lugar, temos Indominus
Rex, um dinossauro que assume a característica de protagonista entre eles, mas
que, não tem qualquer afeição, ao contrário do Tiranossauro Rex que está
completamente ausente no filme. O hibrido mata por diversão, qual a explicação
pra isso? A humanização do monstro tornou-o menos ameaçador, menos selvagem.
A construção dos personagens
é feita de maneira também preguiçosa. Unidimensionais, estes não apresentam
qualquer alteração de personalidade. Arquétipos são definidos desde o início:
Owen, o Indiana Jones. Claire, a racional ao extremo e etc. É verdade, porém,
que há uma mudança de personalidade na personagem de Bryce Dallas Howard,
porém, completamente sexista. Inicialmente uma mulher extremamente racional,
que só pensa em trabalho e que, por isso, não pensa em constituir família (como
se uma mulher que trabalha não pudesse ter família). Em segundo momento uma
personagem que mostra seu “lado feminino”, desabrochando a “mãe interior”,
deixando o trabalho de lado (afinal, lugar de mulher é cuidando do filho, né?).

 

Permito-me, nesse final de
crítica, a utilização da primeira pessoa. Apesar dos inúmeros erros que contém
o filme que, ao sair do cinema, me fez pensar ter assistido ao pior filme do
ano, ainda assim a nostalgia me fez repensar a nota a dar. Se não fosse esta, 1  estrelas. Com esta …★★☆☆☆☆☆☆☆☆ – Nota: 2/10

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