Crítica: Jessabelle

 



Por Leonardo Carvalho
Direção: Kevin Greutert
Elenco: Sarah Snook, Mark
Webber, David Andrews, Joelle Carter.
Estados Unidos – 2015
Os primeiros planos da história começam com um casal se
mudando, colocando seus objetos na caçamba do carro, além de diálogos
bonitinhos que fazem com que o espectador ache tudo aquilo muito “fofinho”.
Geralmente os filmes de terror começam dessa forma, com uma calmaria, com
iluminação clara, muitas vezes preferindo o dia do que a noite.
O primeiro ponto de virada acontece com poucos
minutos, em uma cena clichê, com o casal sendo vítima de um acidente
automobilístico, em que um caminhão acerta em cheio o carro, principalmente o
banco do motorista, que era ocupado pelo noivo de Jessie, enquanto ela teria
que ficar por bastante tempo de cadeira de rodas, como uma paraplégica. Após
esse acidente, ela, ao lado do seu pai, vai até à casa onde sua mãe morou para
que pudesse se recuperar. O grande conflito da obra acontece quando, mais uma
vez abusando dos estereótipos, Jessie passa a investigar seu passado com
objetos, como cartas e fitas cassetes, que sua mãe guardara para seu
aniversário de dezoito anos.
Em um ambiente perturbador, um dos poucos pontos
positivos do filme, que também não deixa de ser um clichê, aos poucos a
personagem vai sendo abraçada pela loucura do local. O que é interessante na
obra é o espectador questionar se tudo aquilo que está acontecendo é real ou é
apenas o psicológico da menina. Em uma cena no desenvolvimento da história, há
uma luta entre Jessie e a criatura malígna dentro do banheiro – cena essa que é
composta por elementos trashes
utilizados em “Arraste-me para o Inferno”, por exemplo –, mas ninguém além dela
consegue enxergar a criatura e toda a água negra que estava acercando a moça
mostra o psicológico sendo influenciado pelas fitas que assistia. Aliás, as
fitas tem uma escura iluminação interessante, que ao mesmo tempo mostra que
aquilo é uma história passada, mesmo a audiência sabendo que há uma data na
parte inferior do vídeo, e concede uma atmosfera sombria, talvez isso seja o
melhor ponto da obra. Mesmo assim, os vídeos não conseguem ser tão
horripilantes quanto aos de “O Chamado”, longe disso.
Pôster de Jessabelle
Um aspecto bom do filme, mas que quase não faz
diferença na composição da história, é o sonho que Jessie tem. Na verdade, é um
pesadelo logo quando chega na casa, o que serve de um flashfoward para apresentar o personagem chamado Moisés, e ainda,
traz o único momento em que a montagem aparece plausível, com cortes crus que
trabalham ao lado de planos e iluminações tortos, trazendo uma ideia
surrealista e aterrorizante. Tirando essa cena, que aparece logo no início,
toda a montagem do filme pode ser jogada fora, já que é desengonçada e possui
um ritmo cansativo, sem o minímo de cuidado com a fluência da narrativa.
Após seu pai morrer carbonizado pelos espíritos da casa,
o que mostra que nem tudo é a imaginação do psicológico da personagem, a menina
se reencontra com um velho colega da escola, que se dispõe a ajudá-la nesse
momento difícil. O garoto aos poucos vai entrando na atmosfera sombria e, a
partir disso o enredo ganha um ar de investigação, como um gênero policial.
Ambos correm atrás de provas e pistas que possam ajudá-los a entender todo o
passado de Jessie e poder dar um fim em todos aqueles problemas, descobrir uma
solução. Isso faz com que o filme ganhe uma outra identidade, o que deixa o fã
do terror cansado da história e indignado pela obra perder muito do clima de
horror.
No clímax, que deveria ser impactante e assustador
como um bom filme de terror, ele é explicativo ao invés de intenso. Não há
intensidade forte, já que boa parte desse momento, as explicações sobre o
passado daquela família tomam conta das imagens. Nele, descobrimos que Jessie,
na verdade, é uma filha adotiva e estava sendo assombrada pelo espírito de sua
meia-irmã, que era a verdadeira Jessabelle, mas havia sido assassinada pelo seu
pai pela razão de sua esposa ter tido um caso com Moisés. Esse clímax perde em
intensidade pela tentativa de surpresa, de um final surpreendente, porém acaba
tropeçando em uma conclusão clichê e com escolhas ruins.
Assim como o remake
de “Poltergeist”, “Renascida do Inferno” e “Ainda Estamos Aqui”, “Jessabelle” é
mais um longa-metragem que precisa ser esquecido no cinema de terror em 2015.
Com uma carga enorme de clichês em estrutura, em cenas de susto e até mesmo no
enredo, o filme peca em muitos aspectos técnicos e não agrada até mesmo aos fãs
do gênero, o que prova a deficiência enorme que carrega.

 

★★★½☆☆☆☆☆☆ – Nota: 3,5

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