Crítica: Mad Max – Estrada da Fúria

 
 
 
Por
Philippe Torres
Mad Max – Estrada da Fúria
Direção: George Miller
Elenco: Charlize Theron; Tom Hardy; Abbey Lee;
Courtney Eaton; Hugh Keays-Byrne; Iota; Jennifer Hagan; Josh Helman; Megan
Gale; Melissa Jaffer; Nathan Jones; Nicholas Hoult; Richard Carter; Richard
Norton; Riley Keough; Rosie Huntington-Whiteley; Zoë Kravitz.
Pôster de Mad Max – Estrada da Fúria
Depois de muita espera dos
fãs da franquia que marcou os anos 80, chegou aos cinemas Mad Max – Estrada da
Fúria. O filme, logo de início, nos introduz os conflitos presentes em seu
personagem principal, Max (Tom Hardy). Assombrado constantemente por seu
passado turbulento, o ex-policial resolve vagar sozinho por um mundo
pós-apocalíptico. No entanto, Max é capturado com a premissa de ser ele “doador
universal”, tornando-se prisioneiro.  Certo
momento outra personagem nos é apresentada, a Imperatriz Furiosa (Charlize
Theron) que, em meio a uma missão que lhe foi dada aborta-a, fugindo com
mulheres que eram tratadas como objeto sexual, portadora dos filhos de um líder,
Immortal Joe (Hugh Keays-Byrne), de uma das poucas cidadelas que ainda se tem
conhecimento. A fuga da Imperatriz provoca uma longa jornada de perseguição,
ação e insanidade.
O diretor é o mesmo dos
filmes dos anos 80. George Miller, ao mesmo tempo em que parece ter ganhado a
experiência de seus 70 anos, age como um jovem de 30 em sua movimentação de
câmera frenética que, porém, fica longe do clichê. Ao invés de optar pelo mais
fácil adotados pelos filmes de ação, os cortes rápidos com câmeras em ângulos
fechados nos objetos, o diretor varia bem tanto a utilização de lentes
grande-angular (planos abertos) como teleobjetivas (planos fechados). Essa
variação permite que o espectador ao mesmo tempo em que observa os rápidos
cortes de planos fechados, que geram o movimento proveniente do gênero ação,
tenha a percepção do espaço em que toda a ação está sendo construída, não
prejudicando uma das fortes características do filme: a fotografia. Ao abrir, o
diretor expande as possibilidades de percepções e sensações provenientes à
paisagem.
Tom Hardy vive Max.
Componente importante da
fotografia, a escolha da alternação das lentes na montagem do filme é capaz de
desenvolver ação e descrição paisagística. Dessa forma, a contemplação se
amplia nos apresentando uma paisagem que explora os tons alaranjados do deserto
que, de forma inteligente, demonstra ao espectador a temperatura que os
personagens são submetidos. Não é preciso que nenhum personagem diga que está
com calor, está fotograficamente implícito. O inverso acontece da mesma forma,
ao chegar o anoitecer, temos uma variação para os tons de azul que remetem ao
frio. É verdade, bastante comum, mas convincente. É importante dizer que a
escolha das cores alaranjadas não dá apenas aos personagens o sentido do
quente, mas ao espectador o calor crescente a uma ação muito bem construída.

Em meio à perseguição incessante,
uma trilha-sonora marca a ação. Contudo, tratando-se de um filme em que a
insanidade tem papel fundamental, temos uma relação de real x mentira presente
na mesma. Em meio aos perseguidores, tambores são tocados marcando a trilha,
sendo visível ao espectador. Isso por si só já teria sua dose de loucura.
Porém, quando deparamos com um guitarrista em um guindaste, tocando e lançando
chamas para todos os lados em meio à perseguição, percebemos que não há limites
para George Miller. O interessante da escolha da presença real da trilha sonora
implica no ganho de ritmo. Em meio à fuga, sabemos que os perseguidores estão
chegando à medida que ao fundo ouvimos o barulho da guitarra, dando-nos o
prelúdio do que está por vir.

Charlize Theron vive Imperatriz Furiosa.
Apesar da ação quase incessante,
a narrativa consegue desenvolver-se em meio a estas. O fato é algo difícil de
ser feito. No geral, os filmes de ação necessitam de uma pausa para que haja as
tão chatas explicações faladas. Em Mad Max isso acontece, mas a frequência é
reduzida. Em meio a perseguições de carros que mais parecem tanques de guerra
temos a história sendo construída a partir de uma narrativa tecnicamente
impecável (Roteiro= história; Narrativa= como é contada). Apesar de
tecnicamente a narrativa ser positiva, o filme confunde-se na escolha de seus
personagens. Os conflitos envolvendo o suposto principal, que dá nome ao filme,
são fracos em relação àqueles apresentados pela personagem de Charlize Theron. O
fato é comprovado pela não necessidade em assistir os filmes anteriores, uma
vez que apenas algumas referências ao passado de Max são apresentadas que,
porém, não comprometem a percepção do espectador. A confusão, porém, faz o
filme tornar-se um fato isolado, isto é, funciona melhor separado dos demais da
franquia. Aos que não assistiram aos anteriores, dificilmente sentirá falta da
presença de Max, a não ser por estarem assistindo a um filme que leva esse
nome.
Concluindo, o filme é uma
explosão de sentidos e alucinação ao infinito para àqueles que são apaixonados
pelo gênero ação. Recomendado.

 

★★★★★★★★½☆ – Nota: 8,5

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