Crítica: Vermelho Como o Céu

Por Leonardo Carvalho
Itália
– 2007
Direção:
Cristiano Bortone
Elenco:
Francesco Campobasso, Luca Capriotti, Marco Cocci, Siome Colambari, Alessandro
Fiori, Simone Gullì, Francesca Maturanza.
“Vermelho
como o Céu” começa com uma cena em que várias crianças, na Toscana dos anos
1970, brincam em um campo. A câmera acompanha Mirco, o protagonista da obra que
é muito bem interpretado Luca Capriotti. O narrador, em todos os momentos está
ao lado de Mirco, o que passa ao espectador a informação sobre suas ações, suas
características e seus sentimentos. Logo na introdução, vemos que o jovem
menino é curioso e, como a primeira grande virada do filme, no final da
introdução, Mirco se debruça para pegar um rifle em sua casa, que estava no
alto de uma parede, e sofre um grave acidente que o faz perder a visão quase
que por inteira.
A
partir do desenvolvimento, em que o menino se encontra em um instituto para
meninos cegos, a adaptação para a cegueira é o centro do filme. Antes do
acidente Mirco enxergava normalmente, depois do acidente não mais, então o
jovem necessitava, por exemplo, aprender o braile e respeitar certas normas do
local. Como uma aversão ao momento, ele agia com aversão sobre as freiras, sobre
o professor e até com os seus colegas de classe. Só aos poucos conseguimos
perceber que Mirco foi aceitando o seu estado e, com isso, enxergamos mudanças
no seu comportamento, nas suas características, o que faz dele um personagem
redondo, feito de mudanças.
As
cenas em que Mirco está fazendo as gravações dos sons das quatro estações do
ano no desenvolvimento da obra não são muito bem estruturadas, já que muita
informação chega ao espectador de maneira rápida, o que prejudica o ritmo da
obra, que vinha de maneira agradável, com os acontecimentos sendo narrados com
um ritmo interessante na abertura. O que deve ser destacado no desenvolvimento
é esse trabalho do longa-metragem que foca na adaptação do menino à cegueira,
em que, para criar uma fábula como um trabalho da escola, utiliza a imaginação
ao lado de seus companheiros e com um gravador que ganhou de presente do seu
professor, grava sons de objetos que são usados no dia a dia para que sirvam de
efeitos sonoros. Essa adaptação faz um diálogo curioso com a imaginação dos
personagens, o que lembra muito o cinema e o teatro, fazendo uma espécie de
homenagem a ambos, utilizando o poético.
Um
outro ponto negativo encontrado pela metade do filme é quando Mirco e sua amiga
Francesca vão até ao cinema e encontram um protesto não muito bem explicado.
Lá, ele conhece Ettore, um rapaz cego que havia estudado no mesmo instituto que
Mirco e trabalha numa espécie de fábrica, onde posteriormente, Mirco gravaria
os ruídos das máquinas para utilizar como o som do dragão em sua fábula. O
problema é que Ettore aparece muito pouco e, no final do filme, ele é decisivo
dentro da narrativa, pois leva o protesto para a frente do instituto para
expulsar o diretor, que era pouco amigável com os meninos. Tudo isso faz com
que as cenas fiquem mal organizadas. Seria mais viável se Ettore tivesse uma
presença maior para que a audiência criasse um apego maior ao personagem, e aí
sim ser decisivo.
A
trilha musical da obra é um dos fatores que compõem melhor a identidade do
filme. A música carrega um sentimento de tristeza por causa dos personagens
cegos, mas também leva na sua composição a descoberta, as conquistas. Ela
aparece com mais ênfase nos momentos em que os personagens, principalmente
Mirco e Felice (“feliz” em italiano, que dialoga com suas características),
estão se aventurando ou alcançam um objetivo.
“Vermelho
como o Céu” é um drama que consegue cobrir os seus pontos negativos com uma
sensibilidade grande que carrega em seu enredo. Não é um tipo de drama que se
enquadra nas trajédias, mas um tipo de drama leve que carrega uma lição por
trás de seu enredo. Emociona o espectador por tudo o que é tratado e por uma
trilha musical presente, mas devido a sua estrutura precária, não passa de um
filme correto.
★★★★★★½☆☆☆ – Nota: 6,5

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