Crítica: 14 Estações de Maria

Por Leonardo Carvalho

Alemanha – 2014
Direção:
Dietrich Brüggemann
Elenco: Hanns Zischler, Lea van Acken, Franziska Weisz,
Florian Stetter, Anna Brüggermann e Sven Taddcken.
 
14 Estações de Maria faz parte de um tipo de cinema que passa dos limites.
Filmes como Amor, Mamute, Depois de Lúcia participam de um modelo de cinema em que os planos
são muito longos, ficam estáticos por muitos minutos na mesma cena, que é
mostrada apenas com poucos cortes. Na maioria das vezes, a inteção dessas
escolhas é trazer certo incômodo ou, como no teatro épico, fixar a imagem para
algum tipo de reflexão.
 
14 Estações de Maria utiliza o tempo todo o plano longo. São quatorze
cortes apenas, com planos sequência em todos, pouco mais de quatorze
enquadramentos que narram a trajetória de Maria, uma adolescente que faz parte
de uma paróquia extremamente conservadora, que a faz pensar que as descobertas
da adolescência fazem parte de um meio pecador. Para piorar a situação, a
figura da sua mãe, severa e árdua, que lembra a mãe de Carrie em Carrie, a Estranha, tenta controlar cada
passo da vida da menina. O fio de história pelo qual a menina passa é dividido
em quatorze partes, que comparam seu caminho aos caminhos da via-crúcis de
Jesus. A comparação pode ser vista pelo principal centro do longa-metragem, que
é o ser humano purificado, sem qualquer pecado, seguindo todos os mandamentos
da Bíblia.
Diferente
de Jesus, a menina peca. Em uma das partes, Maria mente para a sua mãe, o que
já a deixa em um degrau abaixo. Em outra parte, mais para o final do filme,
Maria morre sem qualquer tipo de ressurreição, que seria o último momento da
via-crúcis, o que a coloca mais uma vez, abaixo de Jesus. A comparação com
Jesus é pesada, mas a ideia é interessante, já que com a ótima atuação da
menina e a boa direção, imagens comoventes são construídas ao espectador. A
premissa da morte de uma santa é ditada, e é reforçada quando, no momento de
sua morte, seu irmão, que não conseguia falar chama pelo seu nome no hospital.
 
14 Estações de Maria é um belo filme, com seu forte elenco, chama a
atenção do espectador, além de participar de um molde extremamente naturalista.
Esse tipo de molde não desvia o foco do espectador por causa dos planos
estáticos e por ser uma narrativa muito lenta graças aos diálogos afiados, que
ajudam a compor um roteiro – vencedor do Urso de Prata de melhor roteiro –
cheio de questionamentos sobre o que é permitido ou não em uma religião. O
longa-metragem não é uma obra-prima, mas marca o cinema alemão no inicio dos
anos 2010 pela sua qualidade e pela proposta de reflexão.
★★★★★★★½☆☆ – Nota: 7,5

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *