10 Filmes que Provam que o Silêncio é Melhor que o Barulho

O cinema é composto por frames por segundo, ou seja, diversas fotografias animadas que comporão o resultado final. O que dá ritmo a película, de fato, são os vazios deixados entre um frame e outro, local onde a montagem poderá atuar. Contudo, alguns diretores conseguem fazer com maestria que esses espaços vazios sejam preenchidos por outro vazio: O silêncio. O silêncio é capaz de dar ritmo, sentido e significado a narrativa de maneira que nenhum barulho seria capaz (Quando digo barulho, não estou me referindo aos ruídos). Importante dizer que nesses casos, se não fosse o silêncio, o barulho não teria a mesma força narrativa, ou seja, o barulho vive graças ao vazio. O contrário não seria possível.

Por: Philippe Leão




– Era Uma Vez no Oeste
 
 
Direção: Sergio Leone
Ano: 1968
São aproximadamente 15 minutos de cena inicial com apenas dois diálogos. O cenário é o deserto, o barulho não existe aqui. Os cowboys estão sentados, esperando algo que está para chegar. Graças ao silêncio proposto, os ruídos sonoros ganham força e dão ritmo a cena: a mosca, as gotas d’agua caindo no chapéu, o barulho da cadeira. Incrivelmente, esses barulhos são capazes de aumentar a ideia de silêncio. A chegada do trem marca o fim do silêncio e o início de uma nova era.Sinopse:
Em virtude das terras que possuía serem futuramente a rota da estrada de ferro, um pai e todos os filhos são brutalmente assassinados por um matador profissional. Entretanto, ninguém sabia que ele, viúvo há seis anos, tinha se casado com uma prostituta de Nova Orleans, que passa ser a dona do local e recebe a proteção de um hábil atirador, que tem contas a ajustar com o frio matador.
 
 
 
– Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera.
 
 
Direção: Kim Ki Duk
Ano: 2003
O cineasta do silêncio mostra como as estações estão intimamente ligadas as ações humanas, aos sentimentos. De maneira cíclica, Kim Ki Duk nos apresenta um filme com pouquíssimos dialogos mas que, porém, explora como ninguém a natureza humana. Os ruídos sonoros ditam ritmo.Sinopse:
Ninguém é indiferente ao poder das quatro estações e de seu ciclo anual de nascimento, crescimento e declínio. Nem mesmo os dois monges que compartilham a solidão, em um lago rodeado por montanhas. Assim como as estações, cada aspecto de suas vidas é introduzido com uma intensidade que conduz ambos a uma grande espiritualidade e a tragédia. Eles também estão impossibilitados de escapar da roda da vida, dos desejos, sofrimentos e paixões que cercam cada um de nós. Sobre os olhos atentos do velho monge vemos a experiência da perda da inocência do jovem monge, o despertar para o amor quando uma mulher entra em sua vida, o poder letal do ciúme e da obsessão, o preço do perdão, o esclarecimento das experiências. Assim como as estações vão continuar mudando até o final dos tempos, na indecisão entre o agora e o eterno, a solidão será sempre uma casa para o espírito.
 
 
– Os Pássaros
 
 
Direção: Alfred Hitchcock
Ano: 1963

Em seu filme anterior, Psicose, Hitchcock filmou a famosíssima cena do banheiro com uma trilha sonora marcante. Em pássaros, o diretor tinha a missão de atender as expectativas de seu maior sucesso. Contudo, trata-se de uma história em que os grandes vilões são pássaros. Como fazer isso? Ele consegue. Ao contrário de psicose, o silêncio dita o ritmo aqui. Não há trilha sonora, apenas o imponente barulho aterrorizante dos pássaros.Melanie Daniels, uma jovem da cidade de São Francisco, vai até uma pequena cidade isolada da Califórnia, chamada Bodega Bay, atrás de um potencial namorado: Mitch Brenner. Mas na cidade começa de repente a acontecer fatos estranhos: pássaros de todas as espécies passam a atacar a população, em número cada vez maior e com mais violência, deixando todos aterrorizados.

 
 
– Casa Vazia
 

Direção: Kim Ki Duk

Ano: 2004Há apenas o silêncio aqui, o barulho é punido. Uma história sobre o preenchimento de vazios. Isso basta.

Um jovem vagabundo invade a casa de estranhos e mora nelas enquanto os donos estão fora. Para pagar a estadia ele realiza pequenos consertos ou faz limpeza na casa. Ele costuma ficar um ou dois dias em cada lugar, trocando de casa constantemente. Até que um dia encontra uma bela mulher em uma mansão, que assim como ele também está tentando escapar da vida que leva.
 
-2001: Uma Odisséia no Espaço
 
 
Direção: Stanley Kubrick
2001

Ano: 1968Longas tomadas marcam o longa-metragem mais venerado de Stanley Kubrick. O vazio do espaço é composto por uma trilha sonora que dita um balé das naves. Contudo, o silêncio não está presente apenas nesse momento, mas em todo o filme. As poucas falas vistas no filme (principalmente do segundo ato em diante) fazem a película ganhar força narrativa.

Desde a “Aurora do Homem” (a pré-história), um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada a Júpiter para investigar o enigmático monólito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.
 
– O Silêncio
 
 
Direção: Ingmar Bergman

Ano: 1963Bergman demonstra na maioria de seus filmes sua capacidade de entregar aos diálogos uma densidade geradora de sentido. A ausência de trilha e o preto e branco completam o vazio imposto pelo silêncio, dando força as falas. Pertencente a trilogia do silêncio (Aliás, todos os três valem a pena), O Silêncio vai tratar também dos espaços vazios, existenciais.

Uma das obras centrais da filmografia de Ingmar Bergman, O Silêncio é o desfecho da “Trilogia do Silêncio”, formada ainda por Através de um Espelho e Luz de Inverno. Duas irmãs com dificuldades de relacionamento, Esther e Anna, e o filho desta, viajam para a Suécia. Porém, no meio da jornada, são obrigadas a parar num país estrangeiro, onde se hospedam num hotel quase deserto. Neste local, elas se defrontam com o vazio existencial de suas vidas.

 

 
– Era uma Vez em Tóquio

 

Direção: Yasujiro Ozu
Ano: 1953O diretor Yasujiro Ozu é conhecido pela palavra escrita em seu túmulo: O Vazio. A transição de suas cenas são compostas justamente por estes que expõe justamente os espaços entre frames, dão existencialismo a narrativa e marca-o na história. Era Uma Vez em Tóquio está sempre presente nas listas de melhores filmes, não é atoa.Casal de idosos viaja a Tóquio, onde pretende visitar os filhos que há anos não vêem. Porém, todos são muito atarefados e não têm tempo para dar-lhes atenção. Quando sua mãe fica doente, os filhos vão visitá-la junto com a nora de seu falecido filho mais novo, e complexos sentimentos são revelados entre eles.

– Sob a Pele



Direção: Jonathan Glazer
Ano: 2013

O silêncio da ritmo a esse thriller psicológico vivido por Scarlett Johansson. Uma metáfora da auto-descoberta e dos desejos sexuais reprimidos, Sob a Pele precisa falar pouco para dizer muito.

Uma mulher misteriosa (Scarlett Johansson) seduz homens solitários na calada da noite, na Escócia, e com isso iniciará um processo de auto-descoberta.

 
– A Longa Caminhada

 

Direção: Nicolas Roeg
Ano: 1971Em primeiro lugar duas crianças são deixadas no deserto pelo pai. Tentando sair do local, ambos se perdem. A incomunicabilidade se apresenta na presença do aborígene, permitindo grandes diálogos promovidos pelos olhares.Duas crianças são abandonadas pelo pai louco que, pouco antes de se suicidar, tenta matá-las em meio a uma região desabitada do deserto australiano. À mercê do destino e com poucos recursos para sobrevivência, o garoto e a menina passam a ser auxiliados por um aborígene, que vive sozinho pelo deserto para cumprir um ritual de sua tribo.

– O Homem Duplicado



Direção: Denis Villeneuve
Ano: 2014

Uma busca inconsciente do ser. O filme existencial do diretor Denis Villeneuve captura uma atmosfera sombria e opressora que, porém, não precisa exagerar no barulho.

Um professor de história depressivo, Adam Bell (Gyllenhaal), descobre acidentalmente assistindo a um filme, a existência de um sósia seu. Ele cria uma verdadeira obsessão por este homem e começa a persegui-lo. Baseado na obra de José Saramago.

 

 

3 thoughts on “10 Filmes que Provam que o Silêncio é Melhor que o Barulho

  • 15 de janeiro de 2017 at 21:57
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    São oportunidades maravilhosas para enriquecer mais ainda nosso conhecimento.

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