Crítica: A Rosa Púrpura do Cairo

Por: Philippe Torres
Filme: A Rosa Púrpura do Cairo
Ano: 1985
País: Estados Unidos da América
Gênero: Romance
Direção: Woody Allen
Elenco: Jeff Daniels, Danny Aiello , Mia Farrow , Irving Metzman, Stephanie Farrow ,Dianne Wiest, Edward Herrmann, John Wood,Van Johnson.
www.facebook.com/cineplot
A Rosa Púrpura do Cairo
Ao escolher falar de “A Rosa Púrpura do Cairo”, pensei por um bom período como demonstrar o que este representa. É complicado falar sobre o filme em questão sem cair no erro de estragar a surpresa. Digo de imediato para aqueles que por este interessarem-se: não leiam sinopses ou vejam imagens e etc. Sério, mergulhe no inesperado.
Sem os spoilers presente na maioria das sinopses, o filme conta a história de uma garçonete (Mia Farrow) que, durante a depressão econômica de 1929, sustenta seu marido desempregado, alcóolatra, violento, machista e grosseiro. Sua vida não é das melhores, mas encontra no cinema uma maneira de fugir de sua triste realidade.
Tecnicamente a película fotografa de maneira eficaz a época em questão. Os cenários escolhidos são muito bem enquadrados em um posicionamento de câmera que os faz ressaltar, ambientando-nos no período. Somado a isso, temos um figurino condizente com pessoas da classe média americana, sempre em cores pastel, ampliando a natureza melancólica do americano dos anos 20, extremamente desesperançosos.
Da forma como descrevo o filme no paragrafo anterior é possível imaginar neste uma atmosfera dramática. E isso é verdade. Contudo, a narrativa imposta no roteiro de Allen é capaz de trazer ao espectador uma percepção de dois filmes em um. Em primeiro momento assistimos algo como acima mencionado, melancólico, dramático, mas com a chegada do primeiro ponto de virada o filme torna-se outro, alegre, romântico. O ponto de virada do qual me refiro é justamente a surpresa que os espera, a partir desta veremos uma trilha sonora que acompanha as emoções dos personagens (agora contentes), atuações que saem de um realismo a um hollywoodianismo vintage, acompanhando o romance entre o personagem de Mia Farrow e os personagens de Jeff Daniels, sim são dois.
O cinema como fuga de uma realidade perversa. É justamente nessa última frase que Woody Allen trabalha todas as linhas e entrelinhas do roteiro que nos aparece em imagem. O cinema Hollywoodiano, desde seu nascimento traz consigo a ideia da fuga de uma vida medíocre, sendo curioso que é justamente o período tratado pelo filme o momento em que os cinemas estouraram no mundo. Essa lógica não mudou, o cinema ainda é visto de tal forma, distanciando a arte cinematográfica das demais artes, por muito confundida como um simples entretenimento e apenas isso.  Pois bem, a narrativa do longa trabalha de forma eficiente ao trazer uma crítica bem humorada e sutil a esse modelo hollywoodiano, constantemente mentindo ao seu espectador, mostrando que ao final de um filme, ao sair da sala de cinema, o breve momento de realidade mentirosa (o filme hollywoodiano) torna-se uma verdadeira catástrofe cotidiana (a vida fora da sala de cinema), suas vidas como são e nada além. O espectador então encontra no cinema o seu primeiro ponto de virada, um momento feliz onde poderá esquecer suas tristezas, mas a chegada dos créditos é devastadora, o espectador encontra o seu segundo ponto de virada, o momento em que deverá dem fato enfrentar a vida.
★★★★★ ★★★★★  – Nota: 10

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *