Crítica: Garota Exemplar

Por: Philippe Torres
Filme: Garota Exemplar (2014)
País: Estados Unidos da América
Diretor: David Fincher
Elenco: Ben Affleck; Rosamund Pike; Boyd Holbrook; Carrie Coon; Casey Wilson; David Clennon; Emily Ratajkoeski; Jamie McShane; Kathleen Rose Perkins; Kim Dickens; Leonard Kelly-Young; Lisa Banes; Lola Kirke; Missi Pyle; Neil Patrick Harris; Patrick Fugit; Ricky Wood; Scoot McNairy; Sela Ward; Tyler Perry.
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Conhecido pelo filme “O Clube da Luta”, o diretor David Fincher começa a representar uma certeza nas premiações de final de ano, em especial o Oscar. Seus últimos três filmes estiveram indicados na cerimônia (“O Curioso Caso de Benjamin Button”, “A Rede Social” e “Os Homens que não Amavam as Mulheres”) obtendo grande destaque entre os concorrentes. Garota Exemplar não será diferente.
Assim como em seus melhores filmes, Fincher foge do sentimentalismo barato ao contar a história de personagens extremamente racionais em suas ações, mesmo que a razão encaminhe à insanidade. Logo no primeiro quadro do filme percebemos a aptidão da película. O personagem de Ben Affleck acaricia a cabeça de sua esposa e logo em seguida uma voz em off diz: “gostaria de partir seu crânio a fim de encontrar algumas respostas” e, então, percebemos que não estamos diante de um filme água-com-açúcar.
Roteiro adaptado do livro homônimo, o filme conta a história de um escritor fracassado que, no dia de seu aniversário de casamento, descobre que sua esposa desapareceu. Logo o personagem aciona a polícia que, de acordo com as evidências, começa a suspeitar do próprio escritor.
O longa tinha tudo para ser só mais um filme de espionagem, mas em nenhum momento se apresenta como tal. Em primeiro lugar, temos o acompanhamento da televisão em relação à investigação policial. Esse elemento narrativo é importantíssimo no sentido que esse não apenas apresenta os fatos relacionados ao caso, mas dirige intencionalidades que constroem os personagens no imaginário da população e irrita o espectador. Uma crítica clara ao telejornalismo. Em segundo lugar, e elemento mais importante no afastamento da trama de uma simples representação policial, temos uma montagem que nos oferece os dois pontos de vista para os principais acontecimentos da narrativa: O de Nick (Ben Affleck), acompanhado de maneira objetiva, com representação bastante consequente de uma realidade, e o de Amy (Rosemund Pike), com uma atuação muito mais mística complacente com as características da personagem, que utiliza-se de uma narração em off sussurrada e igualmente mística para ler pedaços de um diário deixado onde mostra lados da personalidade insegura de seu marido.
Importante para o desenvolvimento da narrativa do filme, as reviravoltas na mente do espectador é constante. Vemo-nos em constante relação com os personagens, pelo bem ou pelo mal, percebendo a todo instante a mudança de sentimentos até o fim. Essa característica é estabelecida justamente pela enorme capacidade de uma estrutura de montagem em efeito Rashomon (filme de Akira Kurosawa), ou seja, quando mostra-se os pontos de vista diferentes sobre a mesma história, entregando encantamento e ritmo, características inerentes ao cinema.
★★★★★★★★★☆ – Nota: 9

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